Friday, February 23, 2007

A cidade volta ao normal, a gente também

Com o início das aulas nos colégios e universidades, tudo volta a velha forma em Porto Alegre: trânsito chato, shoppings lotados e gente que não acaba mais dentro dos ônibus. Nós também deixamos a paciência redobrada e o espírito aventureiro para trás. A calmaria só volta no ano que vem, quando as férias forem anunciadas novamente.

Para ir ao trabalho, mesmo que comece às oito da matina, não dá mais para sair de casa uns minutinhos antes. Essa história de não ter hora para almoçar ou ficar assistindo o filme que passa depois do Teledomingo, acabou. No dia seguinte, os compromissos exigem descanso.

Meu colega aqui do jornal, o Tiago, acaba de ler o título que estou dando a esse post. "Eu já voltei ao normal desde o dia 1 de janeiro", disse ele, referindo-se ao fato de não ter tirado férias. Apesar disso, continuo com a minha tese de que as pessoas não são normais nos meses de janeiro e fevereiro, mesmo que não saiam de suas cidades, suas casas, suas rotinas.

Enquanto os outros se divertem, curtem a vida, pegam sol, voltam alegres de suas viagens, os que apenas observam o movimento, recebem os reflexos da estação. As pessoas ficam diferentes, amenas, calmas nessa época que está chegando ao fim. Acho que é o sol.

Esses dias minha prima Carla contou-me sobre algo que leu. A crônica afirmava que há uma grande diferença no humor das pessoas que são aquecidas pelo sol - como os nordestinos - e as que são aquecidas pela lareira - como nós, gaúchos. Realmente, é isso que dá a fundamentação maior para o motivo de eu estar escrevendo esse texto.

Uma diagramadora aqui do jornal me disse ontem: "A partir de hoje chegarei todos os dias nesse horário". Significava uns 10 ou 15 minutos de adiantamento. Razão: as aulas dos filhos começaram e é ela quem os leva para a escola. A minha colega voltou a ser uma pessoa normal. Não pode mais colocar o celular no "soneca".

O Tiago está por fora. Ele é que não se deu conta de que somente agora será o Tiago de verdade. Tudo que ele pensou que podia estar ruim nesses últimos dois meses, como já dizia o pensador, pode piorar! Ou não.

Friday, February 02, 2007

Pessoas repetidas

Eu e a Gabriela voltávamos de lotação do jornal esses dias. A Gabi também estuda jornalismo e foi minha colega durante um estágio que fizemos no Hospital de Clínicas. Nesse mês, voltamos a nos encontrar: dividimos a redação do Jornal do Comércio. No trajeto até nossas respectivas casas, falamos de um fato interessante. Sobre as pessoas que, depois que nos damos conta delas, passam a cruzar por nós com certa freqüência. Foi a Gabi que chegou a tal conclusão. Ela é mesmo um poço de inteligência.

Pior que é verdade mesmo. Se a gente repara em alguém, começamos a ver esse alguém em vários lugares. Está no shopping, no restaurante, na praia e, às vezes, até no aeroporto. É curioso. Parece que o indivíduo dá cria, se multiplica. Aí a gente pensa que passava por ele todos os dias e não se dava conta. Por que isso começa a acontecer de uma hora para outra?

Agora pouco, aqui na Zero Hora, perguntei a duas colegas (Mari e Mari) - também auxiliares de redação -, que estudam na Unisinos, se já se conheciam antes de trabalharem juntas. Responderam que não, mas deram a certeza de que irão se ver muito nesse semestre. Elas acreditam na mesma teoria da Gabi.

O mundo é um ponto de interrogação. Quantas coisas que a gente ainda não se deu conta, quantas a gente nunca vai entender. É raro existir pessoas atentas como a Gabi.