Com que nome eu vou?
Ontem à noite, nasceu em mim uma dúvida existencial. Ela foi motivada por uma pergunta de determinado professor de Redação do meu curso - Jornalismo, aos que não sabem. Quando entreguei meu texto final, ele olhou no fundo dos meus olhos e atirou. "Como vais assinar tuas matérias?".
A bala me atingiu. Nos meus devaneios, me enxergava perdido nas páginas impressas entre Mauro Schneider, Mauro Belo, Mauro Belo Schneider, Mauro Schneider Belo e nomes fictícios. Respondi que gostaria de usar Mauro Belo Schneider. Do jeito que está escrito na minha certidão de nascimento, do jeito que meus pais escolheram. "Acho que não é uma boa", lamentou.
Segundo ele, os jornais preferem dois nomes. É mais fácil das pessoas gravarem, mais sonoro. Chegou a me contar histórias de jornalistas que foram barrados por isso, e tiveram que se adaptar.
Meu pai não gosta quando excluo o Schneider. Certa vez, estávamos num estádio de futebol e ele me mandou ir no estúdio da rádio que cobria o evento pedir para que anunciassem que eu estava no campo. "Como te chamas?", perguntou o locutor. "Mauro Belo Schneider", soletrei. "Só Mauro Belo, Schneider é difícil", emendou o radialista. Depois de ter ouvido meu nome ser falado para todo o Estado, sentei ao lado do meu pai (que estava com o walkman na mão). "Teu tio de Garibaldi nunca vai saber que era tu", criticou.
Agora não sei o que fazer da minha vida. É meu professor de um lado, dizendo que não devemos ouvir nossos pais. É a numerologia de outro. É o meu público que já me conhece pelos três nomes (quem dera).
De repente, eu tenha que repensar toda a minha trajetória. Desde aquele dia no cartório, quando a família estava toda reunida e eu era apenas um sem-assinatura. Como eu era feliz.
Thursday, June 28, 2007
Sunday, June 24, 2007
Música eletrônica, eu e as regras
Nunca tinha ido a uma festa rave. Sábado passado, fui. Minha colega Paula se encarregou de comprar os ingressos e eu descobri como é passar horas a fio ouvindo música eletrônica. No meu caso, não foram muitas horas: fui embora às 3h30min, o que é imperdoável num evento como esse.
Se fosse uma outra festa qualquer, o horário de partida seria normal. Lá pelas seis horas da manhã, a maioria dos boêmios já deve estar em casa dormindo, sonhando com o que aconteceu na noite - ou queria que tivesse acontecido. Enfim, trata-se de regras tribais.
A Paula me contou que já chegou a passar quase 24 horas numa rave. Ela gosta mesmo do negócio. Eu prefiro uma balada com músicas que possa acompanhar a letra, dançar em ritmos alternados.
Na vida, tudo tem o seu manual de instrução. No trabalho não se pode fazer certas brincadeiras, no colégio tem que pedir para o professor autorização para ir ao banheiro, nas festas raves tem que estar ligado e se balançar até... sabe-se lá quando. Quem quiser, que faça diferente.
Foi legal conhecer uma rave, me diverti muito, apesar de ter me diferenciado. A Paula entrou para o meu livro de recordações como aquela que me apresentou o universo eletrônico.
Nunca tinha ido a uma festa rave. Sábado passado, fui. Minha colega Paula se encarregou de comprar os ingressos e eu descobri como é passar horas a fio ouvindo música eletrônica. No meu caso, não foram muitas horas: fui embora às 3h30min, o que é imperdoável num evento como esse.
Se fosse uma outra festa qualquer, o horário de partida seria normal. Lá pelas seis horas da manhã, a maioria dos boêmios já deve estar em casa dormindo, sonhando com o que aconteceu na noite - ou queria que tivesse acontecido. Enfim, trata-se de regras tribais.
A Paula me contou que já chegou a passar quase 24 horas numa rave. Ela gosta mesmo do negócio. Eu prefiro uma balada com músicas que possa acompanhar a letra, dançar em ritmos alternados.
Na vida, tudo tem o seu manual de instrução. No trabalho não se pode fazer certas brincadeiras, no colégio tem que pedir para o professor autorização para ir ao banheiro, nas festas raves tem que estar ligado e se balançar até... sabe-se lá quando. Quem quiser, que faça diferente.
Foi legal conhecer uma rave, me diverti muito, apesar de ter me diferenciado. A Paula entrou para o meu livro de recordações como aquela que me apresentou o universo eletrônico.
Friday, June 22, 2007
Mas já?
Coloquei no meu nick do MSN essa indagação: "mas já?". Aí, minha colega de trabalho me veio com outra: "já o que, senhor??". Assim mesmo, com dois pontos de interrogação e tudo. Foi o suficiente para me fazer pensar sobre o sentido da pergunta. Mas como essa minha colega mesmo disse: "pensar sempre é bom, porque sempre leva a gente a algum lugar, a gente sempre descobre algo novo". O nome da autora dessas palavras é Rossana.
A Rossana despertou em mim uma veia de auto-ajuda. Nada contra. Tem momentos na vida em que é muito bom ler auto-ajuda. Aliás, qualquer coisa que faça bem para o espírito é positivo. Seja uma leitura, uma música, um filme, enfim. Obrigado Rossana. Puxa, já citei a Rossana três vezes nesse post. Quarta!
Voltando à pergunta que gerou essa polêmica interior. Disse para a Rossana que o "mas já?" se referia a diversas coisas. São elas:
- Mas já estamos na metade do ano?
- Mas já é sexta-feira?
- Mas já vou completar 21 anos?
- Mas já sou quase um jornalista?
- Mas já estou trabalhando onde sempre quis?
- Mas já passou o jogo do Grêmio contra o Boca?
- Mas já consegui realizar grande parte dos meus sonhos?
- Mas já sou uma pessoa tão ocupada?
- Mas já me preocupo em ter tempo para a família e os amigos?
- Mas já quero férias?
- Mas já estou com saudades da minha infância?
- Mas já preciso fazer uma poupança para comprar um carro e uma casa?
- Mas já quero constituir uma família?
Mas já???
Coloquei no meu nick do MSN essa indagação: "mas já?". Aí, minha colega de trabalho me veio com outra: "já o que, senhor??". Assim mesmo, com dois pontos de interrogação e tudo. Foi o suficiente para me fazer pensar sobre o sentido da pergunta. Mas como essa minha colega mesmo disse: "pensar sempre é bom, porque sempre leva a gente a algum lugar, a gente sempre descobre algo novo". O nome da autora dessas palavras é Rossana.
A Rossana despertou em mim uma veia de auto-ajuda. Nada contra. Tem momentos na vida em que é muito bom ler auto-ajuda. Aliás, qualquer coisa que faça bem para o espírito é positivo. Seja uma leitura, uma música, um filme, enfim. Obrigado Rossana. Puxa, já citei a Rossana três vezes nesse post. Quarta!
Voltando à pergunta que gerou essa polêmica interior. Disse para a Rossana que o "mas já?" se referia a diversas coisas. São elas:
- Mas já estamos na metade do ano?
- Mas já é sexta-feira?
- Mas já vou completar 21 anos?
- Mas já sou quase um jornalista?
- Mas já estou trabalhando onde sempre quis?
- Mas já passou o jogo do Grêmio contra o Boca?
- Mas já consegui realizar grande parte dos meus sonhos?
- Mas já sou uma pessoa tão ocupada?
- Mas já me preocupo em ter tempo para a família e os amigos?
- Mas já quero férias?
- Mas já estou com saudades da minha infância?
- Mas já preciso fazer uma poupança para comprar um carro e uma casa?
- Mas já quero constituir uma família?
Mas já???
Sunday, June 10, 2007
Minha primeira madrugada
Hoje passei por uma situação, no mínimo, estranha. Pela primeira vez, estou trabalhando de madrugada. A noite parece tão longa e disprovida daquela magia das outras noites que passei acordado em algum bar, boate ou salões de festas.
Sozinho, em frente ao computador e com uma música ao fundo, dá vontade de ligar para todos os amigos. A gente perde a noção de que as pessoas podem estar dormindo. Parece que elas precisam estar alertas como nós, ansiosas por uma conversa.
Os filmes da TV são todos macabros. Ninguém no MSN. Assim que as horas vão passando, a lista de internautas online vai diminuindo. Achei que o sono seria maior, mas me enganei. É algo suportável. O que mais vem a cabeça são os planos de a que horas vou dormir quando sair daqui.
Por trabalhar em um veículo de comunicação, recebo as ligaçãoes mais curiosas que a mente humana pode imaginar. São pessoas que querem atendimento médico e outras pedem móveis novos (a chuva molhou os antigos). Por que não estão dormindo? Deveriam dar valor a essa oportunidade! No rádio, as músicas são boas, a maioria antiga.
Lembro que certa vez passei a noite toda acordado também, vi o dia amanhecer. Foi no Planeta Atlântida. Achei tão estranho. Quando cheguei em casa não quis dormir, fui direto à praia, mas meus parentes falavam comigo e eu mal respondia! Peder a noite é como perder parte de si mesmo.
Bom, assim são as coisas. Pelo menos, essa experiência está me provando aquilo que eu sempre soube: as histórias nunca param. Nem mesmo enquanto alguns dormem.
Hoje passei por uma situação, no mínimo, estranha. Pela primeira vez, estou trabalhando de madrugada. A noite parece tão longa e disprovida daquela magia das outras noites que passei acordado em algum bar, boate ou salões de festas.
Sozinho, em frente ao computador e com uma música ao fundo, dá vontade de ligar para todos os amigos. A gente perde a noção de que as pessoas podem estar dormindo. Parece que elas precisam estar alertas como nós, ansiosas por uma conversa.
Os filmes da TV são todos macabros. Ninguém no MSN. Assim que as horas vão passando, a lista de internautas online vai diminuindo. Achei que o sono seria maior, mas me enganei. É algo suportável. O que mais vem a cabeça são os planos de a que horas vou dormir quando sair daqui.
Por trabalhar em um veículo de comunicação, recebo as ligaçãoes mais curiosas que a mente humana pode imaginar. São pessoas que querem atendimento médico e outras pedem móveis novos (a chuva molhou os antigos). Por que não estão dormindo? Deveriam dar valor a essa oportunidade! No rádio, as músicas são boas, a maioria antiga.
Lembro que certa vez passei a noite toda acordado também, vi o dia amanhecer. Foi no Planeta Atlântida. Achei tão estranho. Quando cheguei em casa não quis dormir, fui direto à praia, mas meus parentes falavam comigo e eu mal respondia! Peder a noite é como perder parte de si mesmo.
Bom, assim são as coisas. Pelo menos, essa experiência está me provando aquilo que eu sempre soube: as histórias nunca param. Nem mesmo enquanto alguns dormem.
Saturday, June 02, 2007
As salas de aula ficam para trás
Chega um dia na vida em que não existem mais salas de aula. Dá uma sensação de vazio, como em todo o fim. A primeira vez que se sente isso é no término do Ensino Médio. A tristeza não é maior porque se sabe que há um novo desafio pela frente: a faculdade. Novos colegas, novos professores e, principalmente, novas salas de aula aguardam o indivíduo. Terminar a faculdade, porém, trata-se de um momento muito doloroso. É difícil encarar um mundo sem o ambiente de ensino, sem a opinião de pessoas que transmitem, além de tudo, confiança.
Nem bem a criança sabe falar, já é colocada na escola. A formação da personalidade passa pelo quadro negro. Tem uns que desenvolvem mais intimidade com a sala de aula do que com os próprios pais – tamanha a duração da permanência no local. Ir e voltar do universo escolar e acadêmico é como escovar os dentes, automático. De repente, acaba. Chega o desamparo. As salas de aula são eliminadas do dia-a-dia.
Digo "de repente" porque quatro, cinco ou seis anos de faculdade passam voando. É comum os jovens sentirem-se verdes para o mercado de trabalho, não dá tempo para aprender tudo. Eu, por exemplo, lembro-me perfeitamente da época em que brincava de ser repórter com o gravador. Entrevistava os amigos e parentes para tentar encurtar as distâncias da realização do sonho de tornar-me jornalista. Hoje (que custo a acreditar que já chegou), estou a um semestre de receber o diploma profissional.
As aulas não são mais as mesmas. Final de curso é desse jeito, as tarefas são práticas e o tempo que se passa na universidade, normalmente, é reduzido – se comparado com os primeiros semestres. Tem horas em que bate a nostalgia. Lembro-me, inclusive, do ano que passei no vestibular, do medo de chegar aos estúdios de rádio e televisão, das saídas depois da execução dos trabalhos para comemorar.
Ultimamente, o pessoal anda correndo, não há brechas para esse tipo de coisa em meio às atenções que monografia e emprego exigem. A vida na sala de aula vai ficando em segundo plano. Parece uma preparação para a despedida fatal. Há diversos motivos para vibrar com essa fase, eu sei. É algo inédito, um recomeço. Mas que é difícil viver tudo aquilo que professores, pais e avós avisaram que viveríamos ao longo do caminho, isso é. Apesar de ter apenas 20 anos, agora acredito na história de que ficamos velhos de verdade. E em outra coisa também: as salas de aula deixam saudade.
Chega um dia na vida em que não existem mais salas de aula. Dá uma sensação de vazio, como em todo o fim. A primeira vez que se sente isso é no término do Ensino Médio. A tristeza não é maior porque se sabe que há um novo desafio pela frente: a faculdade. Novos colegas, novos professores e, principalmente, novas salas de aula aguardam o indivíduo. Terminar a faculdade, porém, trata-se de um momento muito doloroso. É difícil encarar um mundo sem o ambiente de ensino, sem a opinião de pessoas que transmitem, além de tudo, confiança.
Nem bem a criança sabe falar, já é colocada na escola. A formação da personalidade passa pelo quadro negro. Tem uns que desenvolvem mais intimidade com a sala de aula do que com os próprios pais – tamanha a duração da permanência no local. Ir e voltar do universo escolar e acadêmico é como escovar os dentes, automático. De repente, acaba. Chega o desamparo. As salas de aula são eliminadas do dia-a-dia.
Digo "de repente" porque quatro, cinco ou seis anos de faculdade passam voando. É comum os jovens sentirem-se verdes para o mercado de trabalho, não dá tempo para aprender tudo. Eu, por exemplo, lembro-me perfeitamente da época em que brincava de ser repórter com o gravador. Entrevistava os amigos e parentes para tentar encurtar as distâncias da realização do sonho de tornar-me jornalista. Hoje (que custo a acreditar que já chegou), estou a um semestre de receber o diploma profissional.
As aulas não são mais as mesmas. Final de curso é desse jeito, as tarefas são práticas e o tempo que se passa na universidade, normalmente, é reduzido – se comparado com os primeiros semestres. Tem horas em que bate a nostalgia. Lembro-me, inclusive, do ano que passei no vestibular, do medo de chegar aos estúdios de rádio e televisão, das saídas depois da execução dos trabalhos para comemorar.
Ultimamente, o pessoal anda correndo, não há brechas para esse tipo de coisa em meio às atenções que monografia e emprego exigem. A vida na sala de aula vai ficando em segundo plano. Parece uma preparação para a despedida fatal. Há diversos motivos para vibrar com essa fase, eu sei. É algo inédito, um recomeço. Mas que é difícil viver tudo aquilo que professores, pais e avós avisaram que viveríamos ao longo do caminho, isso é. Apesar de ter apenas 20 anos, agora acredito na história de que ficamos velhos de verdade. E em outra coisa também: as salas de aula deixam saudade.
Friday, June 01, 2007

De repente, do nada, as coisas acontecem
Tem épocas na vida em que a gente pensa que tudo dá errado. Nem adianta fazer as coisas certas, seguir o manual, a impressão que se tem é que nascemos para sofrer, para assistir os outros conquistando seus objetivos. Mas, de repente, as coisas boas começam a acontecer para nós também. Nessa hora é que se vê como toda atitude gera um resultado.
Há alguns dias, mudei de "posto" no meu trabalho. E, hoje, vejo que todos os meus esforços do passado valeram a pena. Cada estágio que eu fiz, desde os que foram nos lugares mais simples, colaboraram para eu me sentir mais preparado para enfrentar os novos desafios que vêm surgindo.
De repente, sem anúncio prévio, nem tempo para grandes comemorações, já estamos dentro de um universo que, antes, não passava de sonho. Não me refiro apenas ao mundo profissional. Até porque sou do tipo que acredita que a profissão não é tudo. É preciso algo mais.
E esse algo mais também é essencial. Muitas vezes imaginamos como deve ser perfeito ter pessoas parceiras para qualquer indiada na volta, ter uma namorada, ter uma rotina divertida, uma família tranqüila. Aí, quando nos damos conta, conquistamos isso. Sim, porque trata-se de uma conquista. "Você é o resultado das suas escolhas", já dizia o ditado.
Enfim, falei um monte de coisas confusas para tentar me desculpar pelo tempo sem posts. É que estive cultivando aquele "algo mais"... De repente, do nada, as coisas acontecem para mim.
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