Wednesday, January 31, 2007


A engrenagem das palavras

Fazer jornalismo é bom porque a gente ouve muito. Ouvimos de tudo e de todos. Coisas que fazem pensar, outras inúteis. Esses dias, eu estava fazendo uma matéria e conversava com uma assessora de imprensa ao telefone. Bem na hora que eu liguei, ela estava em maus lençóis. Na volta de uma viagem a Caxias do Sul, seu carro estragou. Nervosa, sozinha na estrada, ela desabafou. "Na nossa profissão, temos tanto cuidado com as palavras, para que não prejudique a vida de ninguém. Olha o que fizeram esses mecânicos, deixaram a minha roda solta. Quase sofri um grande acidente", lamentou.

Ela tem toda a razão para estar indignada. Numa rotina de redação de jornal, tudo é discutido. Adjetivos são proibidos. Os pontos e as vírgulas têm seus lugares marcados. Caso deslocados, estragam tudo: acaba com a credibilidade. A lei é pensar, ser imparcial, firme, transmitir segurança. Tudo através das palavras. Mas será mesmo que elas são mais importantes do que as peças do automóvel, por exemplo?

Estão no mesmo nível. Palavras de agressão repetidas transformam personalidades. Tenta dizer para uma criança bonita que ela é feia. Se ela ouvir isso todos os dias, por mais linda que seja, se olhará no espelho e se achará diferente das demais. É a força das palavras. Basta uma frase que toque no nosso ponto fraco para acabar com a alegria do dia. Basta ouvir que "aquela pessoa" não te ama, para sentir uma dor no coração.

Os mecânicos precisam ter mais cosciência sobre a responsabilidade do trabalho que desempenham. As outras pessoas, porém, devem aprender com eles e com os jornalistas. As palavras podem agir como tiros de pólvora ou como o calor do sol. Depende de como são ditas.

A assessora é esperta. Bom é saber que ainda tenho muitas coisas para ouvir ao longo da vida. Com certeza, é menos perigoso do que falar.

Monday, January 22, 2007


Não deveria ser assim, mas a gente acostuma

Novamente estou num período corrido. Não tanto quanto no ano passado, quando trabalhava no portal Terra, Jornal do Comércio e ainda freqüentava a faculdade todas as noites. Mas, as coisas estão puxadas. Não tenho um intervalo sequer para curtir o sol, de passear no shopping, de pegar um cinema ou, mesmo, de ver a sessão da tarde. Estou me acostumando. O problema é que não deveria ser assim.

Quando ficamos muito tempo sem fazer as coisas boas da vida, esquecemos delas. Esquecemos do quanto pode ser prazeroso passar as horas, simplesmente, conversando com um vizinho. Melhor ainda se isso acontece acompanhado de um chimarrão e pipocas. Quando o trabalho aperta, a gente deleta da memória o quanto também pode ser enriquecedor uma longa conversa com os avós. Não temos, porém, dinheiro a perder. É preciso trabalhar para encher o currículo, para não entrar no SPC, para não entrar em depressão. Os avós? Ah, eles estão sempre lá.

Será? Os avós são apenas exemplos. Em meio a essa correria esquecemos dos amigos, dos pais, dos irmãos, do cachorro. Isso é completamente normal, acontece com todos. Ás vezes, no entanto, é preciso lembrar deles, lembrar de nós. O sofrimento vem depois, junto com a aposentadoria. Na balança da vida, o que deve prevalecer é a sabedoria de delegar prioridades.

O assunto pode parecer um tanto clichê. E é. Esse sentimento vem e volta, se repete inúmeras vezes. Tanto é verdade que acabamos nos acostumando com essa falta de sentimentalismo, com essa falta de amor próprio. Eta coisa séria. Hoje fui fundo! Faz parte, assim como a falta de tempo.

Friday, January 19, 2007


São apenas pessoas

Que mania a nossa de achar que as pessoas da mídia são especiais, feitas de um material diferente dos outros. Abençoadas por Deus, felizes por natureza e sortudas. Que nada. Todas elas têm seus dias de mau humor, suas manias, suas decepções. Outra coisa, a gente dá uma dimensão tão grande aos veículos de comunicação, mas, na verdade, tudo não passa de um processo estranho que acontece dentro do cérebro. A mídia é uma nova realidade, que confunde a verdadeira, que tem influência na vida dos cidadãos. Tudo isso eu já ouvi numa das aulas do Juremir Machado da Silva - um professor da Famecos, que tem coluna no jornal Correio do Povo nas quartas e domingos.

Também sinto isso tudo na pele. Primeiro porque trabalhando na RBS vejo as coisas que via antes de um jeito muito diferente. Há alguns anos, na minha primeira visita ao Diário Gaúcho, achava a redação grande. Hoje, percebo que é bastante pequena, principalmente se comparado com a Zero Hora, ou mesmo com o Jornal do Comércio.

Quanto mais popular o veículo de comunicação, mais o processo de mistificação atua. Tenho provas. Escrevi matérias muito legais no JC, fiz até uma página central do caderno Empresas e Negócios sobre o Natal Luz de Gramado. Estava tudo ali, todos os números que são movimentados durante o evento. Um perfil da economia. Um trabalho árduo, falei com várias pessoas. Alguns leram, gostaram. Porém, basta sair uma pequena crônica minha na ZH que todos lêem, todos gostam, todos ligam para elogiar, deixam recados no Orkut. Pedem para que eu não esqueça deles com a "fama", dizem que eu escrevo bacana.

Tudo isso me faz um ser mais feliz, além de mais confuso. Há poderes que a gente não consegue explicar. Ainda bem que estou a favor desse fenômeno agora. Só corro o risco de ser confundido com uma cadeira, uma mesa, uma caneta. Sei lá, tudo que não seja de carne e osso.

Thursday, January 18, 2007



O fotógrafo e o sonho

Já escrevi de tudo nessa vida. Fiz crônica sobre o apagão, futebol, verão e até sobre o ato de sorrir. Acredito que cada pequeno momento vale uma grande história. Certa vez, mais ou menos aos 13 anos de idade, mandei um texto para o jornal Diário Gaúcho falando sobre os sonhos que a gente tem. Lembro-me vagamente das palavras que utilizei, mas a idéia central estava nessa frase: quem acredita sempre alcança. Foi publicado na coluna Fala, Leitor - com foto e tudo. Agora, sou a prova do ditado.

Hoje, sete anos depois, vejo que estava certo. E não sou só eu que percebo isso. O fotógrafo que me clicou também reconhece o fato. Na época, eu dizia ter certeza absoluta de que um dia chegaria às paginas dos jornais, apesar da imensa concorrência desse universo jornalístico. Não é que cheguei?! Trabalhei num jornal de bairro, passei pela assessoria de imprensa do Hospital de Clínicas, fiquei durante mais de sete meses fazendo pautas muito legais para o Jornal do Comércio (até em Curitiba e em Gramado), e agora estou na Zero Hora. Tudo que eu sempre quis. Quando o fotógrafo do Diário me encontra pela RBS, me chama de Sonho.

É um apelido que fala muito sobre mim. Sempre fui um cara desses que sonha demais, mas não deixa de viver. Em vez de ficar esperando a hora de entrar numa redação, inventava uma maneira de já estar inserido no meio. Agora, tenho orgulho por ver que segui as placas corretas, as que me levaram e continuam levando por uma estrada que alegra a mim, minha família e amigos.

Wednesday, January 17, 2007

Um jeito de praticar

Abram alas. Nasce hoje o maior e mais BELO blog de todos os tempos.

A partir dessa data, passo a contar um pouco sobre a vida de um estudante de jornalismo do sétimo semestre. As minhas andanças pelas redações do Rio Grande do Sul estarão aqui. Os bastidores da notícia gaúcha, as curiosidades sobre colegas, os aprendizados e as coisas que não são publicadas também entrarão na pauta.

Até mais.