Saturday, June 02, 2007

As salas de aula ficam para trás

Chega um dia na vida em que não existem mais salas de aula. Dá uma sensação de vazio, como em todo o fim. A primeira vez que se sente isso é no término do Ensino Médio. A tristeza não é maior porque se sabe que há um novo desafio pela frente: a faculdade. Novos colegas, novos professores e, principalmente, novas salas de aula aguardam o indivíduo. Terminar a faculdade, porém, trata-se de um momento muito doloroso. É difícil encarar um mundo sem o ambiente de ensino, sem a opinião de pessoas que transmitem, além de tudo, confiança.

Nem bem a criança sabe falar, já é colocada na escola. A formação da personalidade passa pelo quadro negro. Tem uns que desenvolvem mais intimidade com a sala de aula do que com os próprios pais – tamanha a duração da permanência no local. Ir e voltar do universo escolar e acadêmico é como escovar os dentes, automático. De repente, acaba. Chega o desamparo. As salas de aula são eliminadas do dia-a-dia.

Digo "de repente" porque quatro, cinco ou seis anos de faculdade passam voando. É comum os jovens sentirem-se verdes para o mercado de trabalho, não dá tempo para aprender tudo. Eu, por exemplo, lembro-me perfeitamente da época em que brincava de ser repórter com o gravador. Entrevistava os amigos e parentes para tentar encurtar as distâncias da realização do sonho de tornar-me jornalista. Hoje (que custo a acreditar que já chegou), estou a um semestre de receber o diploma profissional.

As aulas não são mais as mesmas. Final de curso é desse jeito, as tarefas são práticas e o tempo que se passa na universidade, normalmente, é reduzido – se comparado com os primeiros semestres. Tem horas em que bate a nostalgia. Lembro-me, inclusive, do ano que passei no vestibular, do medo de chegar aos estúdios de rádio e televisão, das saídas depois da execução dos trabalhos para comemorar.

Ultimamente, o pessoal anda correndo, não há brechas para esse tipo de coisa em meio às atenções que monografia e emprego exigem. A vida na sala de aula vai ficando em segundo plano. Parece uma preparação para a despedida fatal. Há diversos motivos para vibrar com essa fase, eu sei. É algo inédito, um recomeço. Mas que é difícil viver tudo aquilo que professores, pais e avós avisaram que viveríamos ao longo do caminho, isso é. Apesar de ter apenas 20 anos, agora acredito na história de que ficamos velhos de verdade. E em outra coisa também: as salas de aula deixam saudade.

1 comment:

Paula Letícia said...

Nem me fala...estou em crise de identidade profissional. Vai que passei anos na famecos por nada.ai, sei lá.