As salas de aula ficam para trás
Chega um dia na vida em que não existem mais salas de aula. Dá uma sensação de vazio, como em todo o fim. A primeira vez que se sente isso é no término do Ensino Médio. A tristeza não é maior porque se sabe que há um novo desafio pela frente: a faculdade. Novos colegas, novos professores e, principalmente, novas salas de aula aguardam o indivíduo. Terminar a faculdade, porém, trata-se de um momento muito doloroso. É difícil encarar um mundo sem o ambiente de ensino, sem a opinião de pessoas que transmitem, além de tudo, confiança.
Nem bem a criança sabe falar, já é colocada na escola. A formação da personalidade passa pelo quadro negro. Tem uns que desenvolvem mais intimidade com a sala de aula do que com os próprios pais – tamanha a duração da permanência no local. Ir e voltar do universo escolar e acadêmico é como escovar os dentes, automático. De repente, acaba. Chega o desamparo. As salas de aula são eliminadas do dia-a-dia.
Digo "de repente" porque quatro, cinco ou seis anos de faculdade passam voando. É comum os jovens sentirem-se verdes para o mercado de trabalho, não dá tempo para aprender tudo. Eu, por exemplo, lembro-me perfeitamente da época em que brincava de ser repórter com o gravador. Entrevistava os amigos e parentes para tentar encurtar as distâncias da realização do sonho de tornar-me jornalista. Hoje (que custo a acreditar que já chegou), estou a um semestre de receber o diploma profissional.
As aulas não são mais as mesmas. Final de curso é desse jeito, as tarefas são práticas e o tempo que se passa na universidade, normalmente, é reduzido – se comparado com os primeiros semestres. Tem horas em que bate a nostalgia. Lembro-me, inclusive, do ano que passei no vestibular, do medo de chegar aos estúdios de rádio e televisão, das saídas depois da execução dos trabalhos para comemorar.
Ultimamente, o pessoal anda correndo, não há brechas para esse tipo de coisa em meio às atenções que monografia e emprego exigem. A vida na sala de aula vai ficando em segundo plano. Parece uma preparação para a despedida fatal. Há diversos motivos para vibrar com essa fase, eu sei. É algo inédito, um recomeço. Mas que é difícil viver tudo aquilo que professores, pais e avós avisaram que viveríamos ao longo do caminho, isso é. Apesar de ter apenas 20 anos, agora acredito na história de que ficamos velhos de verdade. E em outra coisa também: as salas de aula deixam saudade.
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1 comment:
Nem me fala...estou em crise de identidade profissional. Vai que passei anos na famecos por nada.ai, sei lá.
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